segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Discipulado não é uma questão de escolha...

  “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos  mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.” (Mateus 28:19,20)
Você pode até não aceitar… Mas fazer discípulos não é questão de escolha. A Igreja não é apenas um local para onde as pessoas vão para adorar a Deus, ouvir boas pregações e receber bênçãos e milagres. Isso tudo é apenas parte de sua função. O principal objetivo da Igreja nem mesmo é sair perguntado “você quer aceitar Jesus?” como um vendedor de móveis e depois contabilizar os que dizem “sim”…
Receber Jesus
    Ora, ninguém precisa “aceitar” Jesus… Ela já nos aceitou! O que precisamos, verdadeiramente é RECEBER Jesus, porque “a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (João 1:12). E receber é muito mais profundo que aceitar… Receber implica trazer para o seu interior os ensinamentos e os exemplos de Jesus.
    Significa, entre outras “pequenas” coisas, dar a outra face, após ser humilhado (Mateus 5:39), ter compaixão (Mateus 18:27), lutar contra o (seu próprio) pecado (I Co. 15:53) e combater o egoísmo, a inveja, a ira e tudo o que não provêm do Espírito Santo (Gal. 5:20).
    Além disso, significa CUMPRIR AS ORDENS de Jesus: pregar a Palavra, batizar os alcançados, fazer discípulos e ensinar tudo o que Jesus ordenou.

Um mestre e muitos discípuos
    Em uma época consumista e egoísta, onde líderes de igreja, corrompidos por facções político-empresariais, atacam direitos sociais, defendem a pena de morte, o uso de armas e utilizam as redes sociais para se alegrar com a morte dos outros, espalhando um clima de medo e revolta, fica fácil iludir e enganar até mesmo os escolhidos. (Mateus 24:24)
    A saída está no CONHECIMENTO (Oseas 4:6) e na GRAÇA (2 Co. 13:14) de Deus.     Por isso, você tem o chamado de ser um discípulo que discipula, ou, como dizia John Wesley, “espalhar a santidade pela Terra”.
    Ao nos tornarmos disicpuladores, devemos ter em mente de que não seremos “mestres” (como ocorre, por exemplo, nas Universidades). Somos discípulos de um único Mestre que, embora tenha sido condenado à morte e assassinado pelo Estado romano, está VIVO e FALA com seu povo.
    Jesus deixou o discipulado como princípio porque o convívio com outras pessoas seguidoras do Evangelho nos fortalece na fé e nos permite perseverar “na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.” (Atos 2:42).
(Publicado inicialmente no Boletim da Igreja Metodista Central em São Pedro da Aldeia, em 20/08/2017)

quarta-feira, 12 de julho de 2017

A “Terra Plana” e as três feridas ocidentais

Em uma aula inesquecível na Faculdade de Letras as UFRJ ouvi falar sobre as “três feridas do homem ocidental”. Há cerca de 500 anos atrás, o homem vivia tranquilo com sua consciência de que, morando no centro do Universo, era o ponto alto da criação de Deus, com sua alma imortal. Essa sensação de importância começou a ser ferida por Galileu, que atualizou a ideia de que a Terra era apenas um planetinha girando ao redor do Sol. Piorou com outra ferida, trezentos anos depois: o  homem, de acordo com Darwin, era um primo distante dos macacos que conseguiu evoluir. Ainda no Século XVIII, Freud dividiu a “alma” humana em três partes: id, ego e superego. E assim é o homem moderno: desabrigado, bastardo e desmiolado.

Chegamos ao Século XXI com essas feridas transformadas em úlceras terríveis. O Sol (ao redor do que a Terra gira) é uma estrelinha de pequena grandeza, perdida em uma multidão e localizada na periferia da Via Láctea – uma galáxia nada impressionante, bem longe do centro do Universo conhecido, que, por sua vez não passa de um dos possíveis universos; os teóricos da evolução já encontraram mais de 3000 tipos de humanoides diferentes evidenciando o “acaso” no surgimento do homem; por fim, o homem pode ser alterado, criado e recriado através da manipulação do DNA.

O que eu não sabia – e que você possivelmente ainda não sabe – é que essas teorias, e até mesmo o formato esférico da Terra, NUNCA foram consenso. O assunto “Terra Plana” explodiu na Internet desde 2015 e existem centenas de vídeos sobre o isso. Dentre todos, escolhi o exemplo abaixo, que me pareceu o melhor sobre o assunto.

Assista e reflita: e se a Terra for plana?

sexta-feira, 3 de março de 2017

Você é "gospel" ou tem a mente de Cristo?

Estamos em uma sociedade onde o Cristianismo se tornou mais uma mercadoria, um "nicho" para pessoas com determinação em ganhar dinheiro - e não me refiro somente aos pastores da prosperidade, mas também à grande máquina "gospel" de vender discos, roupas e livros. Afinal, "você adora e a Somlivre toca".

Na última edição do Boletim da Igreja Metodista Central de São Pedro da Aldeia publiquei um texto sobre a "Mente de Cristo" que achei interessante reproduzir aqui. Esteja à vontade para ler e comentar...

Durante todos esses séculos, homens têm oprimido, torturado e até matado em nome de Cristo. E não se restringiu ao passado, pois nos tempos modernos, as igrejas apoiaram ditadores e aceitaram as perseguições contra os que pensassem diferentes. Foi assim na Alemanha de Hitler, foi assim na Itália de Mussoline e infelizmente tem sido assim nos Estados Unidos de Bush e Trump... como tem sido assim no Brasil, repleto de líderes "cristãos" adoradores do Dinheiro e defensores de políticos que se dizem "linha dura". Há pastores e padres que defendem até que as pessoas "de bem" andem armados...

Alguns teólogos insistem em afirmar que "pecar é errar o alvo"... E talvez aí esteja a resposta: o alvo do cristão não é ter poder para enfrentar demônios, ou realizar curas milagrosas (embora esses sinais sigam o povo de Deus); ser cristão é ter a "mente de Cristo"!

E quem tem a mente de Cristo demonstra, em primeiro lugar, compaixão... Suas opiniões são temperadas com a mansidão do Espírito Santo e com um desejo de perdoar. Cristo nos amou quando ainda éramos seus "inimigos" (embora ele classificasse apenas o Diabo como "nosso inimigo"...)

Nesse sentido, o cristão não tem como defender nenhum tipo de vingança ou violência. É tão contra a pena de morte quanto é contra o aborto: sua defesa será sempre da vida. Denuncia quando os direitos são desrespeitados (sejam os direitos de "homens de bens" ou de presidiários, obrigados em viver em condições subumanas e ilegais). Chora com os que choram e têm fome e sede de justiça, mas deixa toda a vingança para Deus.

O cristão do Século XXI se alegra quando o seu país abre as portas para os refugiados, não importando sua condição. Ainda se lembra que Deus não faz acepção de pessoas - não importando suas opiniões ou atos que tenham praticado. Ele não é um moralista, de dedo em riste, apontado os pecados dos outros (isso era coisa de fariseu), nem está preocupado em ser homofóbico, ou em atirar pedras em terreiros de Candoblé. O cristão sabe que Jesus odeia o pecado, mas ama o pecador. Por isso, o cristão perdoa, acolhe, defende, trata, ama.


Prof. Marcos Salaibe